terça-feira, 24 de julho de 2012

“Herda merda”



Heranças, mais uma palavra que da água na boca. Sim, pode parecer interesse de minha parte, mas dá água na boca sim! Todas as incalculáveis riquezas familiares são alvo dos ambiciosos parentes, sejam eles próximos ou distantes, todos desejam ficar com algum bem, mas e quando esse bem não é passado por uma herança comum, escrita em um testamento? É nesse momento que as coisas começam a complicar.
Refiro-me a nossa herança genética, muitos de nós, ou na maioria dos casos, todos nós tínhamos  vontade de possuir algum dom de família, ou pendor, ou características como cabelos lisos ou encaracolados, loiros ou escuros, olhos claros, uma voz diferente, ter mais altura, ser mais musculoso(a), ou mais magro(a). De qualquer modo nós nunca estamos satisfeitos com a nossa aparência! Deve ser por isso que os salões de cabeleireiros e clínicas de cirurgia plástica arrecadam a cada temporada uma boa soma em dinheiro. Já notaram que em algum momento de uma conversar casual do nosso cotidiano, reclamamos de algo relacionado a nossa aparência? E é numa dessas conversas onde a sua tia avó, alguém que você menos espera, te responde a esse lamento da seguinte forma: “... você não sabia? A gente só herda merda!”. Na hora o choque é demasiadamente grande, pelo fato da sua tia avó dizer a palavra merda, (se considerá-la uma pessoa educada), ou então, por se tratar de uma pessoa experiente, que viveu muitas situações e que infelizmente chegou a essa conclusão.
Será esta a resposta para as nossas constantes queixas? Só herdamos aquilo que não queremos? Ou então não enxergamos nossas qualidades e por uma infeliz e imprestável capacidade humana, comparamos com outros de nós,  nossos corpos, bens, aquisições ou qualquer outra coisa. Infelizmente acho que esse problema pode ser caracterizado por um simples e comum pecado capital, a cobiça! “Que coisa feia, não pense assim!”. Essas seriam as palavras de nossos pais ou avós nos educando na infância, mas quando somos crianças o máximo que cobiçamos do outro, é um brinquedo. O problema começa assim que nossa idade progride gradativamente, ano a ano, e a constante comparação acompanha esse aumento, o que torna as pessoas tristes, infelizes e a cima de  tudo, insatisfeitas. Insatisfação, essa palavra não poderia estar extinta do nosso vocabulário? Melhor ainda, das nossas vidas? Será que é tão difícil gostarmos exclusivamente do que temos e não desejar aquilo que não temos? Parece bobo, mas é tão complicado  não é verdade? Se analisarmos melhor, a vida não teria a menor graça se tudo fosse perfeito. Acho que as diferenças e os desejos estão presentes, como exemplos, para que sempre possamos nos olhar de verdade, ficarmos em frente ao espelho  e nos olharmos, no fundo de nossos próprios olhos. Defeitos todos nós teremos, sejam eles pequenos ou grandes, estarão presentes em qualquer momento de nossa vida. Faz parte do ser humano, as diferenças. As características distintas não deveriam ser um problema, mas sim um motivo de orgulho, pois somos únicos, e são elas que nos garantem esse, desprezado inconscientemente por boa parte de nós, um certificado de exclusividade. Não é isso o que todos nós procuramos? O exclusivo? Então o segredo é esse, a exclusividade está conosco a todo o momento em cada um de nós!    

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